A vida é uma paisagem borrada
Por de trás do vidro do carro.
Rostos que se dissiparam
E já não se vêem.
Corações que no espelho do tempo
Definem-se apenas como indefinidos.
Como hei de alcançá-la;
Como ousa-la;
Se meu carro é minha prisão?
Observo-a por de trás do vidro,
Sempre quilômetros á frente de nós.
“Acelera” gritamos em vão,
Mas Como hei de alcançá-la;
Como ousa-la;
Se meu carro é minha prisão?
A vida é apenas uma paisagem
Por de trás do vidro do carro.
Sem forma,
Sem cor.
Apenas uma lembrança
Do que meus olhos fitaram
Por detrás do vidro do carro.