........................................................  escrito em sábado 06 dezembro 2008 21:18

O sol toca os tambores.

Os cavaleiros montam em suas selas,

prontos para os afazeres de ontem, anteontem, de sempre.

Cavalgam frenéticos para suas celas.

 

Com as mãos atadas,

sem poderem puxar suas espadas,

seguem derrotados

pelo dragão da montanha;

 

Escravizador da civilização

que acompanha á todos

numa ilusão

retangular, de cores , vidro ou lcd;

 

O sino toca, mais uma luta

anuncia-se nos olofortes.

corram cavaleiros fortes,

hora de se alimentar,

porém voltem em cinco minutos.

 

A fome lhes acompanha

companheira destas voltas

de cabeça baixa

voltam á mesmice.

 

O ultimo sino toca,

O sorriso se estampa

em nossos cavaleiros

derrotados, que sobem em seus cavalos

e partem. Em casa,

encontra sossego no berço do dragão.

Dormem felizes.

 

 

 

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Marcelo e Juliana  escrito em quinta 06 novembro 2008 19:39

O sol desperta atrás do monte. As nuvens caminham sob o azul céu. Juliana, moça judia, desperta de seu sono e com seus olhos castanhos fita seu quarto. Joga suas mãos para um canto, liga seu rádio. “O Füher estará em Munique nesta quarta-feira”, fala o comentarista. Juliana levanta seu corpo e caminha até sua cozinha. Sua casa tem quatro cômodos: banheiro, sala de visitas, cozinha e um quarto. A porta de entrada dá para a sala de visitas, e uma porta á esquerda de quem entra na casa leva para a cozinha. A direita há um corredor onde se encontra a porta do banheiro e no fim a porta de seu quarto. Quando chega a cozinha coloca, em uma chaleira, água esquentar. Pensando apenas em sua mãe que sumira havia três semanas. Temia que o Füher estivesse promovendo uma caça á judeus. Juliana vivia com sua mãe desde os cinco anos de idade, seu pai fora morto por um assaltante. E desde que Hitler tomara o poder estava com medo de sair de casa.

 

Marcelo Straus nem conseguira dormir, faltavam apenas 40 minutos para sua hora de trabalho. Filho de um alemão com uma Brasileira mudara-se para Munique, com seus pais, aos cinco anos de idade. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ainda tinha 18 anos. Agora com 30 anos e um emprego estável no serviço inteligente da gestapo pensava estar sua vida sacramentada a isto. Muitas mulheres passaram por sua cama, porém nenhuma delas havia fisgado seu rochoso coração. Atualmente o alto escalão da Gestapo havia lhe dado á missão de identificar Judeus, para que estes fossem fuzilados. “Porcos que não merecem viver.” Pensava em seu alterego. O Füher era a lei suprema, para ele. Acreditava fielmente que somente á raça ariana poderia triunfar. E assim já havia identificado muitos judeus para a forca. Porém após a sua ultima vítima um sonho torturava seu sono, e desde então não conseguia dormir. Sonhava sempre com uma mulher de olhos castanhos chorando ao lado de uma lareira com uma foto que parecia ser da ultima judia que identificara. A mulher olhava para ele e continuava a chorar. Ela tinha um corpo perfeito. Porém quando Marcelo ia ajudá-la um homem fuzilava o rosto da mulher e quando mirava o fuzil para ele, ele acordava. Levantou-se lavou o rosto, trocou de roupa, e foi ao trabalho.

 

A vida realmente havia resolvido ser dura com Juliana. Sua comida estava chegando ao fim. Suas prateleiras estavam quase todas vazias, e teria de racionar alimento se quisesse sobreviver. Não trabalhava, tinha apenas 18 anos de idade, mas e agora?  Estava sem resposta. Uma coisa era certa, não iria sair de casa em hipótese alguma.

 

Quando chegou à sua sala já havia um aviso pendurado em seu mural. “Mais uma casa para averiguar”, pensou. Então se dirigiu automaticamente para seu armário, tirou um terno, uma gravata, uma calça e um sapato e vestiu. Em cima do guarda roupa repousava uma caixa com alguns biscoitos, pegou a caixa e saiu. Chegando á casa bateu na porta e ficou esperando alguns minutos sem resposta. Bateu novamente.

 

Estava deitada lembrando-se de sua mãe, quando ouviu um barulho. “O que será?”, pensou. Foi até a sala e percebeu que alguém batia na porta. Hesitou por alguns minutos pensando que poderia ser a polícia do Füher. Dirigiu-se até a porta e perguntou:

- Quem è?

Quando ouviu a voz, nosso soldado se assustou, porém respondeu:

- Sou um vendedor senhora, vendo biscoitos. E gostaria de saber se você gostaria de comprar alguns.

- Vendedor de biscoitos? Espere um pouco, já abro a porta para você.

Juliana dirigiu-se até ao balcão pegou alguns trocados e abriu a porta.

“Não pode ser, é elaa!”, assustou-se Marcelo. Deixando a caixa de biscoitos cair.

- O que aconteceu senhor?

Nuca havia visto em sua vida, uma face tão doce e tão meiga como aquela da mulher em seu sonho. E Juliana era ela! Era a mulher que chorava. Como pode? Ele não sabia responder. Juntou os biscoitos, ainda em estado de choque. E falou:

- Senhoramechamomarcelosouvendedordesdeosquinzeanosmorosozinhotenhotrintaanos.

- Nossa! Calma senhor. O que aconteceu? Quer um copo de água?

- Nãoseriaumincomodo?

- Entre, entre.

Entrou na sala e sentou-se no sofá. Ainda tenso tentava conter seus pensamentos e se concentrar na sua missão. “Ela pode ser uma judia, uma judia, mas que judia linda! Marcelo, uma judia! Ela tem que morrer!”, sua mente o torturava.

 

“Que homem estranho”, pensou. Levou o copo à torneira, sua mão tremia de nervosismo, encheu o copo de água. “Será que ele é espião?”, olhou mais uma vez para ele. “Espero que não”, e dirigiu-se ao vendedor. Deu-lhe o copo d’água e lhe indagou:

- O que aconteceu?

- A senhora lembra-me de minha mulher. Ela era Judia e sumiu faz dois meses. - respondeu tentando forçar um choro.

- Não fique assim moço. O senhor tem muito a viver ainda. - se aproximou e abraçou-o.

- A senhorita não sabe o que é perder um ente querido, sem ao menos, saber o que aconteceu. – tentou, com sucesso, forçar mais uma vez um choro.

- Sei sim! Minha mãe sumiu há três semanas. Estou sem comida, sem colo, sem amor pela vida. – começou a chorar.

- Vocês são judias?

- Sim, assim como sua mulher era. Como os alemães estão se cegando para esse morticínio?

- Eu também não entendo senhorita. Porcos sem coração. Matando por um racismo idiota. O Füher está louco! – respondeu, como se estivesse falando consigo.

 

Ambos continuaram abraçados e choraram por alguns minutos. Após Marcelo pegou suas coisas e antes que saísse...

- Qual o seu nome nobre vendedor?

- Chamo-me Multzer. Até mais ver... Ah! Pode ficar com os biscoitos.

- Não, e como o senhor vai viver? Eu os compro!- tirou o dinheiro do sutiã e o pagou. - Até mais. – fechou a porta, escorou-se na parede e desabou no chão.

 

Marcelo saiu da casa em estado de choque e ficou vagando sem rumo pelas ruas, por umas duas horas e, ao invés de retornar ao seu batalhão, foi direto para sua casa. Deitou-se transtornado. Seu mundo acabara de desabar. “Como esta maldita faz balançar meu coração?”, pensava. Chorou a noite inteira dando-se conta de que poderia ter levado a mãe daquela linda jovem ao fuzilamento. “Eu a fiz sofrer!”, ficava a se torturar. O amor tem muitos mistérios, e quando percebera que aquela era a menina de seus sonhos viu-se perdidamente apaixonado. “Que bondade, que olhos lindos! E talvez seja eu o carrasco...”, chorando balbuciava.

 

Levantou-se pegou os biscoitos e se dirigiu á cozinha. Lá chegando guardou os biscoitos e partiu a se quarto. Pôs-se a repousar em sua cama, porém não conseguia dormir. “Que homem era aquele? Completamente maluco!”, pensava. Tentara várias vezes dormir, mas as lembranças de Multzer (Marcelo) a ficavam torturando.

Nosso soldado passou sua noite a chorar. Quando já se passavam das sete horas da manhã levantou tomou um banho vestiu-se, comeu e saiu em direção da sede da gestapo. Chegando a seu escritório viu que havia mais casa para averiguar, pegou um disfarce qualquer e foi a seu trabalho. Mais a noite, após averiguar todas as casas, foi a seu escritório colocou seu disfarce de Multzer e foi até a casa da judia e bateu a porta.

 

Não conseguira dormir. Passara o dia todo na cama a chorar por sua mãe e a pensar em Multzer. Já se passava das oito horas da noite quando ouviu a portar bater. “Será que é multzer?”, correu até a porta e perguntou:

- È você Multzer?

Após ouvir a voz de Juliana, seu coração disparou:

- Sou sim minha gentil dama!

Ela então abriu a porta. Estava vestindo traje de dormir, porém seu cabelo estava lindamente escovado e seus olhos fundos, mas lindamente castanhos observavam multzer:

- Entre, senhor.

 

Multzer então deu alguns passos e sentou no sofá. Juliana fechou a porta e sentou a seu lado.

- Quem és tu gentil homem, que faz minhas pernas e meu coração balançarem?

- Oh, minha dama, sou apenas um gentil servo de DEUS!

-Da onde vens? Eis judeu?

- Como podes ver, sou alemão, porém de alma judia. Venho de Berlin, sou filho de uma brasileira com um alemão. E você, conte-me de onde vem esses olhos castanhos e perfeitos?- acariciou o rosto de Juliana com suas mães e a percebeu suspirar.

- São herança de minha mãe. Porém lindos são os teus olhos azuis. – respondeu acariciando também o rosto de multzer. Quando ambos perceberam já estavam se beijando, a mão de multzer acariciava o corpo de Juliana que explorava todo o corpo daquele homem. E ali no sofá, a frente da lareira, ambos descobriram a chama que ardia em seus corpos e entregaram-se um ao outro formando um só corpo. E a partir daquele dia traçava-se mais um história de amor. Marcelo contara toda a verdade a Juliana, que com todo o seu coração e a força do amor que sentia por ele o perdoou. Mudou-se para a casa dela e continuou seu trabalho na Gestapo. Porém o cerco contra os judeus aumentava e fez Juliana pintar seu cabelo de loiro. Após um tempo decidiram fugir para o Brasil, para assim viverem em paz. Chegado o dia de sua viagem ambos encontravam-se no quarto arrumando as malas quando Juliana indagou:

- Será que o Brasil é o lugar certo?

- Fique tranqüila minha linda! Naquela terra a beleza encontra casa e nome. - pegou na mão de Juliana e á beijou. Juliana dirigiu-se até a sala sentou no sofá pegou o retrato de sua mãe e começou a chorar. De repente batidas fortes ecoaram em toda a casa.

- Abram é a polícia!

Marcelo correu para sua mala pegou sua arma e começou a correr para a sala. Ouviu-se outro estrondo, porém mais forte. Quando chegou a sala Juliana chorava segurando o retrato se sua mãe quando um policial gritou:

- Ela é judia!- e atirou em sua cabeça.

Marcelo inconsolado começou a chorar sem parar. Um dos oficiais o reconhecera e impediu que os outros colegas atirassem.

- Minha amada! Não! Que destino cruel me reservaste oh, senhor das trevas e da luz! Espero encontra-la no conforto de seu mundo!- mirou sua arma para sua cabeça e antes mesmo que alguém o pudesse impedir apertou o gatilho. Em sua retina passou todo o filme de sua vida quando uma escuridão tomou conta de si. Os policiais recolheram os corpos, limparam toda a sala e em seu laudo colocaram que ela o havia matado e que eles mataram-na.

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Vinícius velho  escrito em sexta 19 setembro 2008 14:12

Hoje deixarei minhas palavras por conta do nosso poeta, vinicus de moraes.

O operário em construção

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.



Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.



in Novos Poemas (II)
in Poesia completa e prosa: "Nossa Senhora de Paris"

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Desordem e retrocesso?  escrito em segunda 01 setembro 2008 13:22

Estava á assistir um jornal qualquer da televisão quando uma notícia

chamou-me á atenção. Fiquei pasmo, sem rumo, sem saber em que solo

estava pisando. Quando ouvi á chamada da matéria, logo me veio á mente

ás frases de nossa bandeira: "Ordem e progresso." Porém que ordem é essa?

que permite grupos armados agirem "em nome da lei". Promovendo chacinas

e cobrando pela "segurança" nas favelas? Ou seja, á população

ao invés de ficar refém do tráfico, torna-se refém destes "justiceiros".

Porém não foi isso que mais me espantou. Como todos sabemos ouve

em nossa história um período onde os coronéis obrigavam seus trabalhadores á

votarem no candidato que este apoiava. Seje pelo uso do seu poder

econômico, seje pela força não os deixava escolherem seus candidatos. E se

estes não votassem como o coronel mandava, os jagunços davam um jeito no neles.

A notícia que me traz espanto, é uma investigação da PF que possui vinte e dois

suspeitos e destes onze já estão presos. Entre esses onze encontra-se

uma candidata á vereadora do Rio de janeiro. Acusada de envolvimento

com milícias, as quais apoiavam sua candidatura. Seu irmão

foi acusado de promover uma chacina, para coagir á população

á aceitar a atuação de uma milícia em uma favela do rio. E conseqüentemente

 através da atuação da milícia, á vereadora  ganharia os votos

da comunidade. Diante disso me pergunto: Aonde está o progresso?

As fraudes com que convivemos, são as mesmas de cem anos atrás. Mudaram-se

as caras, e os ensinamentos são os mesmo. Será que o voto de cabresto

voltará, através da atuação destas milícias, as quais em sua maioria

possui desde policiais militares á políticos envolvidos? E enquanto

isso caminhamos cada vez mais pasmos com nossa política e com nossos valores. Perguntando-nos: que mundo é esse? Parece-nos, pois, que neste mundo os fins são mais importantes que os meios. E a dignidade

e a honestidade caem por terra. Estamos pasmo, e de acordo com

as próximas notícias continuaremos assim por muito tempo.

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A vida é uma paisagem borrada  escrito em terça 26 agosto 2008 11:41

A vida é uma paisagem borrada

Por de trás do vidro do carro.

Rostos que se dissiparam

E já não se vêem.

Corações que no espelho do tempo

Definem-se apenas como indefinidos.

 

Como hei de alcançá-la;

Como ousa-la;

Se meu carro é minha prisão?

 

Observo-a por de trás do vidro,

Sempre quilômetros á frente de nós.

“Acelera” gritamos em vão,

Mas Como hei de alcançá-la;

Como ousa-la;

Se meu carro é minha prisão?

 

A vida é apenas uma paisagem

Por de trás do vidro do carro.

Sem forma,

Sem cor.

Apenas uma lembrança

Do que meus olhos fitaram

Por detrás do vidro do carro.

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